O brincar na clínica psicanalítica winnicottiana
- Júlia Romualdo

- há 4 dias
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Na psicanálise, especialmente a partir das contribuições de Donald Winnicott, o brincar ocupa um lugar central no cuidado com crianças. Brincar não é apenas uma atividade recreativa ou um passatempo: é uma forma essencial de expressão emocional e de comunicação com o mundo interno da criança.
Para Winnicott, é no brincar que a criança pode ser criativa, experimentar liberdade e expressar sentimentos que ainda não conseguem ser colocados em palavras. Durante a brincadeira, aspectos do inconsciente aparecem de forma espontânea, por meio das escolhas de brinquedos, das histórias criadas, das repetições e dos gestos. Assim, o brincar se torna uma linguagem, permitindo que a criança comunique angústias, desejos, medos e conflitos de maneira segura.
Na clínica psicanalítica winnicottiana, o terapeuta oferece um ambiente suficientemente bom, onde a criança se sinta segura para brincar. Esse espaço de confiança é fundamental, pois só é possível brincar verdadeiramente quando há segurança emocional. O analista não dirige a brincadeira, mas acompanha, sustenta e observa, respeitando o ritmo e as possibilidades de cada criança.
O brincar acontece em um espaço que Winnicott chamou de “espaço potencial”, uma área intermediária entre a realidade interna da criança e o mundo externo. Nesse espaço, a criança pode experimentar, criar e transformar suas experiências emocionais, favorecendo a integração do self e o desenvolvimento emocional saudável.
Dessa forma, o brincar na clínica não busca corrigir comportamentos, mas oferecer à criança a oportunidade de se expressar e se organizar emocionalmente. É por meio do brincar que a criança pode elaborar vivências difíceis, fortalecer vínculos e ampliar suas formas de existir e se relacionar com o outro.
Texto: Júlia Romualdo
Psicóloga Clínica | CRP: 05/52830






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